Apresentação do Parque

Apresentação do Parque
Autoria: Tiago Fiqueiredo

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

"Há mais plástico no mar que plâncton" (1)

Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente, não tem a vida facilitada. Depois de ter apresentado uma proposta louvável, recuou nas boas intenções.

Basicamente, o que se pretendia com a iniciativa é reduzir drasticamente o uso de sacos de plástico. Como os portugueses são de 'gancho', 'aqui d'el rei' que se estava a invadir a liberdade de escolha do consumidor e, já agora, das grandes empresas de distribuição que já pagam uma taxa (ou será taxazinha, inha inha) para que a respectiva recolha de plásticos se faça. E logo no Natal, oh sr. secretário! Infame proposta, que o mesmo é dizer, é mesmo de quem não tem nada para fazer...


Eu bem vejo como em muitas caixas se gastam sacos atrás de sacos para guardar 1, 2 itens, como os clientes levam sacos com sacos vazios lá dentro porque nunca se sabe, podem vir a dar jeito para pendurar na varanda (?!), como os sacos se espalham pelas ruas,... Há lá símbolo mais óbvio do mundo consumista dos nossos dias do que o saco de plástico? Por acaso, lembrei-me agora duns quantos outros símbolos, mas assim nunca mais acabava o post...
Enfim, falta de visão e de consciencialização.

É avançar, homem! Proíba os sacos de plástico em toda e qualquer loja, qual D.Quixote. Qual é o mal do uso de sacos degradáveis, biodegradáveis e reutilizáveis? Não haverá nenhuma empresa que se aperceba da oportunidade de negócio, para além de uma forma simples, óbvia, útil de implementar a tão badalada Responsabilidade Social das Empresas? Oh gente de vistas curtas!


Senhores distribuidores: visitem a aldeia de Modbury (Sul de inglaterra) e aprendam qualquer coisa com os ingleses - eu até colocava aqui o texto publicado este fim de semana no jornal Expresso, mas o site deles está de tal maneira, que desisti de o procurar. Quem tenha 'pachorra' que o procure na edição impressa de 08.12.2007, Primeiro Caderno, com os títulos 'Disseram não ao saco de plástico' e 'Ambiente manda taxa para o lixo'.

E já agora, sr. secretário, aproveite a ASAE e ponha-a a verificar a aplicação de semelhante proibição. Não é preciso fazer contas de cabeça para perceber o alcance da iniciativa...

No mundo dos plásticos nem tudo são rosas, Humberto!

(1) Rebecca Hoskings

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Carbono atitude: a atitude certa neste Natal

A INDE - Intercooperação e Desenvolvimento, em parceria com o miau.pt está a levar a cabo uma venda de Certificados Contra a Pobreza no valor unitário de 10€.
O objectivo é sensibilizar o público português para as implicações do comportamento no acto aquisitivo junto de populações mais pobres, normalmente situadas no hemisfério sul.


Além disso, procura compensar o meio ambiente quanto ao nosso impacto no planeta terra.
Para que os portugueses continuem com o actual estilo de vida e consumo de recursos, seriam necessários dois planetas terra, por exemplo.
Neste caso a INDE teria um pouco mais de capacidade para desenvolver as suas acções em Timor Leste e Guiné-Bissau.
Aqui fica a dica:

http://www.miau.pt/leiloes/leilao.jsp?offer_id=5936953

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Nasceu no último ano da 1ª grande guerra e ainda existe!

No topo do Parque da Quinta das Conchas, em plena mata, junto à entrada da Quinta do Lambert, o transeunte pode deparar-se com esta fonte datada de 1918 e que se encontra desactivada, estando no estado que as imagens documentam, quer no espaço em redor quer o próprio interior repleto de lixo.



O facto desta zona ser muito menos frequentada do que os restantes espaços do Parque, não quer dizer que deva ser entregue ao abandono, sem a devida recuperação dos caminhos incompletos e a recolha do lixo, só para dar alguns exemplos de intervenções urgentes.
Aliás, no seguimento da preocupação manifestada com a segurança aparentemente decorrente do afogamento no Parque Oeste (numa atitude muito portuguesa: 'casa roubada, trancas à porta') foram colocadas grades de protecção e fitas, num estilo muito provisório, mas de louvar - pena é que em vez de reconstruir o velho palacete, apenas se tenha gasto tempo a colocar tijolos para impedir o acesso ao seu interior.

Alguém que dê o devido destaque a esta fonte antes que o vandalismo lhe dê um destino...

Sábado, 10 de Novembro de 2007

Grandes mudanças no Parque?

Ora bem, por onde começar?...

Talvez pela descoberta de uma verdade aparentemente insofismável: as pessoas valorizam no seu dia-a-dia as pequenas coisas, pormenores pormaiores numa visão micro, aspectos talvez desprezáveis se se atender apenas às grandes questões da vida, como a vida, a morte, a doença,...
E quando essas 'pequenas' coisas são sujeitas a mudança e essa mudança não é explicada convenientemente e na altura apropriada, pode resultar de forma danosa para quem promove a mudança.
Verdade a la palisse, correcto? Errado. Dependendo do papel que o sujeito assume assim é a sua compreensão do mundo, além de que as descobertas mais importantes da vida fazem-se de modo inesperado, sem preparação.
Depois deste 'intróito' posso afiançar-vos que tomei consciência deste facto, a que muito provavelmente quem terá 'paciência de santo' para 'me' ler já não constitui novidade.

OK, então posso avançar - ainda sem imagens, elas virão mais tarde - para as pequenas grandes mudanças que vão ocorrendo no Parque por estes dias quentes de Outono.

No topo junto ao colégio de S. Tomás, o muro está a ser construído, em tijolo, sem obedecer ao traçado original do antigo muro do Parque, não se percebendo muito bem onde vai parar e quanto tempo semelhante obra vai demorar.

O velho edifício abandonado num dos topos do Parque está a ser sujeito à aplicação de tijolos para tapar o acesso ao interior do edifício, talvez com o propósito de evitar acidentes, quem sabe? Ninguém, não há quaisquer avisos por perto.

O poço junto a este edifício está protegido por cancelas de segurança, facilmente amovíveis, diga-se de passagem. Pretende-se fazer alguma coisa em seguida? Não faço a menor ideia...

O lago principal do Parque das Conchas foi sujeito a limpeza, à semelhança do lago do Parque dos Liláses. Até que enfim! Só un petite probléme: por quanto tempo é que os lagos vão permanecer em bom estado?

Entretanto, junto ao lago principal do Parque das Conchas existem obras que se arrastam, não se percebendo também o seu fim. Talvez para reparar o sistema de manutenção que serve o dito lago mas, mais uma vez, continuamos em plena adivinhação. Avisados até podíamos comentar: sim senhor, aqui está uma obra bem feita, mas como ninguém se acusa, a imagem que fica só pode ser negativa.

Já na quinta dos Liláses, um dos prédios está a ser sujeito a obras de manutenção da sua fachada virada para o Parque. Muito bem. E porque é que não se colocaram cancelas de protecção de modo a evitar que o material de construção ali depositado não constituísse perigo para os utentes do Parque? Je ne sais, je ne sais plus, je me suis perdue,...

O caixote do lixo que mudou de sítio voltou a mudar, desta vez para ficar bem cimentado e um pouco mais próximo do pretenso muro a ser construído no topo do Parque. Andará alguém a ler este blogue?...

Um dos caminhos de madeira no centro da Quinta das Conchas está a ser sujeito a manutenção e... epá, não posso crer: tem um aviso! Contra todas as leis da probabilidade, houve alguém que, neste país, se preocupou com o utente e teve o cuidado de o informar! Afinal, sempre há esperança. Ou então, trata-se apenas da excepção que confirma a regra.

Cá está, pequenos pormenores, 'coisas de lana caprina'. Bem, e no meio disto tudo, ainda ninguém teve a preocupação de começar a colocar protecções em torno dos dois lagos, talvez um pormenor, mas que fez toda a diferença para aquela criança que caiu no lago da Alta de Lisboa.
Pormenores!

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Obras de Santa Engrácia

Era uma vez um caixote do lixo que foi colocado num Parque como elemento de uma requalificação. Algum tempo mais tarde, foi encontrado neste estado:




Conforme é observável, o dito foi retirado, tranquilamente recostado à árvore mais próxima para que as obras seguíssem normalmente.

Pergunto:

Qual era o seu local original?
Porque foi retirado?
Voltará ao seu local original?

Enfim, quando é que a requalificação do Parque termina, realmente?

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Desaparecidos em combate

Agora que o Eixo Norte-Sul aparentemente chegou ao fim (aparentemente, porque ainda falta concluir muita coisa; afinal, a inauguração recaiu apenas sobre o asfalto: faltam os acessos, a área imediatamente por baixo do Eixo, o Mercado do Lumiar...) fica alguma nostalgia pelo que entretanto desapareceu para dar lugar ao mastodonte actual.



São pedaços de história que deixaram pura e simplesmente de existir, edifícios que faziam parte do património do Lumiar / Lisboa e que, à semelhança de tantos edifícios espalhados pela cidade e pelo país vão dando lugar a equipamentos de gosto duvidoso e utilidade para muitos questionável...

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Porque vamos a Paris?

Aula infantil, cantina e balneário pertencente à Sociedade Instrução e Beneficência José Estevão

Apesar de tudo, não consigo evitar de olhar para aquele edifício entalado entre dois blocos de cimento na Alameda das Linhas de Torres, já muito próximo do Centro Comercial do Lumiar e do Parque das Conchas.
Passo por lá todos os dias e dói-me vê-lo naquele estado, embora cale fundo a ilusão de que tenha outro destino que não a demolição. Ou porque vai ser substituído por mais um bloco de cimento e vidro ou porque o estado de degradação é tal que coloca em risco a segurança de quem por ali passe.


Assemelha-se a um idoso que já viveu muitos e bons anos, com muitas estórias para contar, mas que não tem interlocutor, porque ninguém se preocupa em escutá-lo. Por isso, senta-se num banco de jardim a ver-nos passar, em silêncio, até que um dia nos apercebemos que ele já lá não está. Mas já será tarde de mais.



A quem pertence? Desconheço. Sei que já foi escolinha e que bem poderia voltar a sê-lo, numa época em que faltam tantas instituições nesta área pela cidade.
É uma obra de arte, só vos digo. No meio de tantos blocos cinzentos, iguais, verdadeiras latas de conserva para seres humanos, este é um edifício com história, tal como muitos pela cidade em estado tão ou mais lastimoso.


Recordo a visita a Paris e o gosto, o cuidado posto em cada edifício. Porque visitamos esta cidade? Entre outras razões, pelo seu riquíssimo património histórico. Mas para o rentabilizar, por exemplo do ponto de vista do turismo, primeiro é necessário saber preservá-lo.

Porque destruímos o nosso património? Que febre é este que nos impele a desvalorizar antigos edifícios, palacetes, jardins centenários e substituí-los por aberrações? Onde está o prazer pela nossa história e estórias? O que teremos nós para mostrar a quem nos visita? Obras?...

Renovo a utilidade da Câmara de Lisboa avançar com um programa de reabilitação do património edificado colocando-o à venda abaixo do preço do mercado imobiliário com a condição de que o seu comprador deve restaurar o edifício num prazo x, findo o qual e em caso de incumprimento, o imóvel regressaria ao seu proprietário.

Quem sabe este edifício poderia voltar ao seu esplendor original...